domingo, 7 de dezembro de 2008

TDAH - na escola, na família, habilidades sociais e tratamento


TDAH
A BANALIZAÇÃO DO DIAGNÓSTICO
Muita gente fica dizendo por aí que é hiperativo. Cuidado! Na verdade, o TDAH corresponde a apenas cerca de 5% da população mundial. É importante consultar um especialista antes de fazer um diagnóstico, pois o problema pode ser outro.
QUEM PERCEBE?
Normalmente, a professora tem mais facilidade para notar uma criança quando essa se destaca dos seus pares. Afinal, ela passa muitas horas do dia com um grupo de crianças iguais em termos de idade e condição intelectiva e fica fácil para ela identificar uma ou duas, dentro da sala, que saem muito do comportamento esperado em aula. Assim, cabe as professoras a responsabilidade de avisar a coordenação da escola para que essa se encarregue de chamar os pais e solicitar uma avaliação para a criança.
SINTOMAS
Geralmente, crianças portadoras de TDAH apresentam dificuldades em manter a atenção em um mesmo foco por um certo tempo, são inquietas, não conseguindo ficar paradas na carteira, se mexem o tempo todo, atrapalhando o ritmo da aula. Não raro são impulsivas, têm dificuldade para esperar a vez e tudo isso junto acaba se tornando um fator de exclusão pelos colegas. Podem ser sensíveis, muito sinceros e se envolverem em confusão constante com os colegas, ficando impopulares no grupo. Não costumam ter habilidades na parte social, o que dificulta ainda mais a manutenção das amizades. Têm muita dificuldade em seguir regras, aceitar limites, e é muito importante sabermos diferenciar se a criança não consegue mesmo submeter-se a regras ou se ela simplesmente não tem vontade em acatá-las, condição que é comum em outros transtornos que não o TDAH. Vale ressaltar que o TDAH pode cursar com outros transtornos de comportamento, dificultando o diagnóstico do caso.
DIVULGAR FAZ A DIFERENÇA
Infelizmente, ainda é muito grande a falta de conhecimento sobre os transtornos mentais na infância e adolescência e como eles se comportam e como podem evoluir ao longo da vida. Muita gente ainda pensa que criança não sofre e muito menos que tem problema emocional. Lamentavelmente, muitos profissionais das área de Saúde e Educação desconhecem a complexidade das implicações de um diagnóstico errado e podem acabar generalizando e colocando as crianças dentro de um espectro restrito, como se toda criança hiperativa ou desatenta fosse TDAH e ponto.
TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR
Ainda nos dias de hoje, muitos pais deixam seus filhos fazendo tratamento com um só profissional, ainda que não vejam resultados satisfatórios. Lembrar que um profissional sozinho não consegue tratar de uma criança. É indispensável que o tratamento seja feito com vários profissionais diferenciados e especializados em Saúde Mental da Infância e Adolescência. Psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo, psicomotricista, terapeuta de família e outros são fundamentais para o tratamento da maioria das crianças. Vemos com freqüência situações de perda de tempo e desgaste, anos a fio sem resultado e famílias ressentidas, frustradas, desgastadas e com raiva por todo um investimento emocional e financeiro sem retorno. Em outras palavras, sempre é importante que a criança seja avaliada por mais de um profissional especializado.
ÉTICA
Muitos profissionais são honestos e éticos. Sabem dos seus limites. Cada profissional representa uma parte do contexto. Tratar uma criança representa consciência e responsabilidade. Isso é a ética profissional. A todo o instante, a ciência evolui no campo da Saúde mental da infância e adolescência, cabendo aos profissionais participarem de simpósios, palestras, congressos, grupos de estudo, etc., sempre se atualizando, pois esse domínio está em franca expansão e a cada dia surgem novas pesquisas e técnicas mais eficazes para o manejo dessas crianças. Infelizmente, ainda vemos alguns profissionais tentando – sozinho – suprir todas as demandas de transtornos que necessitam de tratamentos com profissionais de diferentes áreas de atuação.
A CRIANÇA PRECISA DE SUPORTE
Crianças com TDAH apresentam, geralmente, fraco desempenho escolar, dificuldades de atenção, hiperatividade e impulsividade, com grande dificuldade na realização de tarefas. Ao contrário do que muitos pensam, o TDAH não é um transtorno de aprendizagem, podendo cursar com dificuldades no aprendizado. Também não é real o que muitos pensam que crianças com TDAH são gênios, na verdade, são crianças normais, com níveis normais de inteligência. Algumas crianças podem se dar bem nas provas, não sendo necessário a presença de notas baixas. Os portadores de TDAH podem estudar na véspera, xerocar cadernos de colegas e tirar boas notas. Principalmente as crianças que gostam de estudar. Os portadores de TDAH fazem muito bem aquilo que gostam. Nunca banalize ou desconsidere os motivos caso seu filho for expulso ou repreendido várias vezes em sala de aula. Procure saber o que se passa e leve seu filho para ser avaliado por um especialista. Providencie o que for necessário para que ele desenvolva seus pontos fracos. Nada ocorre por acaso. É comum ouvirmos pais dizerem que os filhos não dão para os estudos, mas na verdade, qual é a criança que quando não consegue aprender, vai gostar de estudar? Reflita sobre isso com carinho.
HABILIDADE SOCIAL BAIXA
O comportamento agressivo, impulsivo e a pouca habilidade social podem resultar em baixa aceitação pelos colegas, professores e familiares. Geralmente eles se tornam impopulares dentro do grupo, ficando isolados e sentindo-se abandonados e fracassados, sem entendimento do que está se passando. Por isso a criança precisa muito de ajuda. A falta de habilidade social pode também resultar em comportamentos evitativos ou de fobia social, resultando em comportamentos de esquiva em situações onde ele tem que ser avaliado, falar em público, abordar uma garota entre outras. Atividades de teatro, dramatização, leitura em voz alta, acolhimento e atenção, elogios e integração da criança dentro do grupo vai facilitar muito a vida da criança. Técnicas específicas de treinamento em habilidades sociais são imprescindíveis, tais como aprender a ouvir os outros, como fazer novas amizades, como iniciar e manter novas conversas, aprender a compartilhar, agradecer, se desculpar, oferecer ajuda, elogiar e aceitar elogios, trabalhar cooperativamente, compreender como o seu comportamento afeta os outros, ter empatia, etc.
ABANDONO
Se a criança for deixada de lado, rejeitada e desacreditada, o clima vai favorecer o crescimento do estigma social e preconceito. E “criança quando pega fama, deita e rola na cama”, como diz o ditado popular. Ainda mais que muitas delas, portadoras de TDAH, são mais imaturas, pois o TDAH cursa com imaturidade do sistema nervoso centra de mais ou menos três anos em relação as crianças sem TDAH, e geralmente elas acabam se tornando os “bobos da turma”, “os peles”, etc. e tudo isso favorece o seu distanciamento e desajuste na turma. Crianças com TDAH podem agredir as crianças sem o transtorno nos vários ambientes, escola, casa, rua, etc., por não dar conta de lidar com sentimentos negativos e destrutivos que acabam surgindo dentro delas e como são impulsivas, partem para a ação, falando e agindo sem pensar. Elas relatam sentimento profundo de fracasso precoce e muitas não entendem o motivo de não conseguirem ser como a maioria dos colegas, gerando auto-estima muito baixa e não raro, quadros depressivos e ou ansiosos. As comparações são feitas de modo muito sofrido por essas crianças, que se vêem rejeitadas enquanto outras são abraçadas, queridas e bem sucedidas. Um erro muito freqüente observado em nossa prática diária é o falso entendimento por parte de alguns pais que ao acharem que os filhos - por não aprenderem - nunca terão bom desempenho acadêmico e profissional e acabam por inseri-los precocemente no mercado de trabalho, mesmo que sem preparo e orientação para tal. Pesquisam mostram altas taxas de repetências e evasão escolar em portadores de TDAH.
RESULTADOS
O TDAH é 90% um transtorno genético e dimensional, podendo ir de casos leves à graves. Por isso, modere a expectativa. O certo é que, com o tratamento adequado, a criança vai ter grande melhora em todos os segmentos de vida.
PAPEL DA ESCOLA
A escola pode contribuir muito ao criar as suas estratégias pedagógicas. Manter rotinas em sala, constantes e previsíveis, estruturar regras claramente definidas e estabelecer limites ao comportamento, são alguns dos manejos importantes para o melhor desempenho do aluno. A criança com TDAH necessita de um nível mais alto de estimulação para funcionar melhor. É necessário envolvê-la em discussões, insistindo para que ela dê suas opiniões sobre os pactos e regras combinados. Dar funções especiais e destaques em sala de aula são recursos importantes. Distribuir papéis, apagar o quadro, transformá-la em ajudante de alguma coisa etc. Um sistema de sinais secretos, em que se avisa a criança quando ela ameaça extrapolar os limites, favorece o aluno e fortalece o vínculo relacional, evitando expor a criança mais uma vez ao grupo e à banalização das punições.
TRATAMENTO
A escola deve avaliar a eficácia do tratamento diretamente com os profissionais e exigir que os familiares levem a criança para se tratar. Essas crianças devem ser encaminhadas inicialmente ao psiquiatra infantil, independente de ser escolas públicas ou privadas, pois no SUS, em diversos centros de saúde mental, encontra-se atenção a esses casos. No mundo atual, com tantos recursos tecnológicos e psicofarmacológicos, é inconcebível que uma criança, cujo comportamento em interação influencie negativamente toda uma turma, fique sem atenção psiquiátrica e medicamentosa, quando necessário. É de suma importância ainda o acompanhamento psicoterápico. Ressaltar que os profissionais precisam ser especialistas em saúde mental da infância e adolescência.
Algumas escolas trabalham em parceria com Núcleos de Saúde Mental da Infância e Adolescência, ou seja, são escolas que trabalham vinculadas a uma Equipe de profissionais competente no assunto. Essa estratégia de parceria mostra redução significativa nas taxas de repetência e de evasão escolar pois todos os problemas que ocorrem são rapidamente resolvidos dentro da Equipe de confiança da Escola, onde todos interagem em prol da criança e de seus familiares, que também são atendidos e acolhidos pela Equipe de Saúde Mental parceira. A escola, então, de posse do retorno desse profissional in loco, tomará as decisões cabíveis em cada situação. Isso tonifica os métodos disciplinares, tornando as regras mais fortalecidas e longe da vala da banalização.
CONCLUSÃO
Medidas complexas para casos complexos são a única maneira de dar a atenção necessária e assim acabar de vez com o paradigma de problema insolúveis. Frente a esse desafio, propomos um novo modelo de atendimento, baseado numa parceria escola – família - equipe especializada em saúde mental da infância e adolescência. Não é novidade que cada vez mais as escolas precisam estar capacitadas e competentes para receberem esses alunos. Os pais procuram, insistentemente, as escolas que tenham recursos adequados para o desenvolvimento global dessas crianças. Este é o modelo da melhor Escola.
CIESC – CENTRO INTEGRADO DO ESTUDO DO COMPORTAMENTO
tel: (021) 2576-5198
DRA EVELYN VINOCUR






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